Prédios do Centro correm mais riscos de incêndio

24 de outubro de 2017

Reportagem jornal A Tribuna

Quanto mais antigo um prédio, mais vulnerável a incêndios e menos seguro em caso de chamas ele está. De modo que edificações no Centro de Vitória figuram entre as que correm mais riscos na capital, analisam especialistas.

Primeiro Tenente do Corpo de Bombeiros, Sanderson Dias Bragança – que coordenou o combate às chamas domingo no Edifício Aldebaran, justamente no Centro – confirma que prédios antigos, com mais de 30 anos, não têm todas as medidas de segurança que estão disponíveis no mercado.

“Na ocasião da construção de prédios antigos, não havia todas as exigências atuais. Ele não está totalmente inseguro, mas não tem todas as medidas disponíveis. A partir de 1985 passa a ter um decreto, em 2002 as leis ficam mais criteriosas, mas qualquer construção antes disso não foi pensada de acordo com os parâmetros atuais”, explica.

Por isso, segundo Bragança, os prédios antigos não estão tão seguros quanto os mais modernos.

“Um prédio seguro contra incêndios precisa ter escada de emergência com portas corta-fogo, que variam de acordo com a altura da edificação. Em linhas gerais, ela precisa suportar pelo menos duas horas de fogo e não entrar fumaça. A escada precisa ter uma área de segurança em caso de chamas”, conta Bragança.

Técnico em equipamentos de combate a incêndio, Eduardo Cardoso salienta ainda que prédios antigos são mais deficitários quando o assunto são extintores e alarme central de incêndio.

“Esses equipamentos demandam de um bom orçamento. Todo um projeto, com os equipamentos, não sai por menos de R$ 15 mil. Ao contrário dos prédios recentes, a maioria dos antigos não foi planejado com sistema hidráulico preventivo em toda a estrutura, por exemplo, que é aquela tubulação que corre todo o edifício, com ramificação em todos os andares”.

Tenente Bragança finaliza lembrando da importância de atualização das modernidade, como a instalação de paredes com resistência ao fogo, propiciando um “espaço seguro” nas escadarias.

CUSTOS DOS CONDOMÍNIOS SÃO ALTOS, DIZEM ADMINISTRADORES

Manter todas as exigências por parte do Corpo de Bombeiros para emissão da vistoria anual de um condomínio gera altos custos.

A afirmação é de administradores de condomínios que calculam que em um prédio com área de lazer composto por 500 apartamentos, a manutenção de equipamentos gira em torno de R$ 30 mil mensais.

O diretor da Condonal Administradora de Condomínios, Ilson Reis, afirmou que se as administradoras não trabalharem de forma preventiva quanto à manutenção dos equipamentos, os custos podem aumentar ainda mais.

“Se o trabalho tiver de ser de forma corretiva, o valor pode aumentar. Por isso, é importante trabalhar a prevenção. Separamos 15% da previsão orçamentária anual, apenas para cumprimento das exigências das vistorias”, disse.

O presidente do Sindicato Patronal de Condomínios do Estado do Espírito Santo (SIPCES), Cyro Bach Monteiro, afirmou que em prédios antigo, geralmente, os custos para manutenção são mais altos que em prédios mais novos. “Porém, as exigências da vistoria anual devem ser compatíveis com as condições dos moradores do condomínio para que possam viabilizar essas adaptações exigidas pelo Corpo de Bombeiros”, analisou.

Monteiro deu como exemplo que nem todos os condomínios têm condições de arcar com os custos de uma caixa de água exclusiva para uso dos bombeiros.

“As exigência devem ser adequadas ao que e viável para cada condomínio”, sugeriu.

O sócio da administradora Control Prime, Paulo Aguiar, afirmou que os custos médios para a manutenção da vistoria anual de um prédio com 120 apartamentos gira em torno de R$ 15 mil.

“São exigidos reformas, trocas de equipamentos e outros serviços, além da taxa de vistoria, de R$ 1.000”.

Paulo também fez outro alerta quanto a prevenção de acidentes em prédios. “Tivemos um morador que instalou o gás sozinho, mesmo com sistema encanado e causou um incêndio. Precisamos da disciplina dos condôminos.”

SAIBA MAIS

CONSTRUÇÕES ANTIGAS SÃO MAIS VULNERÁVEIS
As normas técnicas do Corpo de Bombeiros buscam estabelecer as exigência das medidas de segurança contra incêndio e pânico nas edificações. Prédios antigos, segundo especialistas, não foram projetados pensando em todas essas exigências e, por isso, são mais vulneráveis em caso de incêndio.

ALGUMAS EXIGÊNCIAS
– Saídas de emergência
– Iluminação de emergência
– Sinalização de emergência
– Extintores
– Central de gás
– Controle de materiais de acabamento
– Brigada de incêndio
– Segurança estrutural contra incêndio
– Sistema de hidrantes
– Detecção de incêndio
– Alarme de incêndio
– Chuveiros automáticos
– Acesso de viatura na edificação

As exigências variam de acordo com o tipo de edificação: altura e área.

VISTORIAS
– Segundo o Primeiro Tenente Bragança, as vistorias do Corpo de Bombeiros em prédios são anuais, e acontecem em duplas militares, cuja patente varia conforme a complexidade das medidas exigidas para a edificação.
– Como cada edificação possui seu projeto de segurança – de acordo com altura e área -, os oficiais conferem os itens necessários para segurança dos moradores de acordo com o projeto especificado.
– Caso alguma irregularidade seja encontrada, o prédio é notificado e passam a contar 30 dias para que os problemas sejam sanados.
– Se, mesmo assim, os problemas permanecerem, há aplicação de multas.

COMO MELHORAR A SEGURANÇA
– instalação de portas corta-fogo, que vão enclausurar a área chamada de “caixa de escada” mantendo um ventilação mínima. Elas precisam aguentar duas horas de chamas e impossibilitar a passagem de fumaça. A ideia é fazer com que as escadas sejam um lugar seguro para refúgio dos moradores em caso de incêndio.
– Instalação de um sistema hidráulico de prevenção que perpasse por toda a estrutura do prédio, com saídas para uso em cada andar – com sistema de pressurização. A ideia é que, em caso de chamas, a conexão de mangueiras na “boca de água” possibilite a chegada da água por meio de pressão, com força e ajude, assim, a apagar focos de incêndio.
– Além disso, é necessária a instalação de aparelhos de extintor em todos os pavimentos, paredes com resistência ao fogo nas “caixas de escada”, alarmes gerais e sinalizações de emergência.

Fonte: Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo

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