Moradores buscam casas para não pagar condomínio

1 de agosto de 2017

Reportagem jornal A Tribuna

Com a crise econômica e o desemprego ainda persistentes no País, encontrar um lugar adequado para morar – e cujo custo caiba no bolso – continua sendo um desafio que está longe de ser vencido.

Segundo a presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Espírito Santo (Sindimóveis), Elizabeth de Oliveira, está aumentando a cadadia o número de pessoas que moravam em apartamentos, mas que tiveram de se mudar para casas em bairros populares para fugir da taxa de condomínio.

Ela disse que o desemprego é um dos fatores que mais contribui para essa realidade. “Muitas pessoas que moram de aluguel em apartamentos estão se mudando para escapar da taxa de condomínio, que está muito cara”.

No País, ações por atraso de com domínio chegaram a crescer 226,5% neste ano.

De acordo com o advogado imobiliário Diovano Rosetti, a taxa condominial pode, ainda, atrapalhar a venda ou aluguel de um imóvel.

“Isso ocorre porque o morador não pode negociar a taxa de condomínio para que permaneça sempre igual ou seja menor, pois os parâmetros para a cobrança da taxa são rígidos, tais como o valor do metro cúbico da água e da energia”.

O especialista ressaltou que a situação fica mais complicada em dois casos específicos: quando o condomínio tem poucos moradores – o que faz com que os gastos sejam pouco diluídos – ou quando a unidade é na cobertura.

“As coberturas, em geral, pagam de 30% a 50% a mais da taxa condominial. Fazendo uma conta rápida, se um condomínio custa R$ 1.000,00, quem está na cobertura vai pagar até R$ 1.500. No ano, isso dá um total de R$ 18 mil. É bastante salgado e dificulta a venda ou o aluguel desse imóvel”, completou.

Segundo o advogado especialista em direito imobiliário Carlos Augusto da Motta Leal, apesar de alta, a inadimplência pouco influencia no aumento da taxa.

“O cálculo da taxa conforme está na lei leva em consideração o custo estimado para manutenção do prédio e um fundo de reserva. Mas há situações excepcionais, em que o morador deve há anos, em que, por meio de assembleia, os moradores podem decidir por excluir aquele morador do rateio”.

ESTRATÁGIAS PARA DIMINUIR VALORES

A elevação do preço da taxa condominial tem feito com que condomínios adotem estratégias para baratear o custo.

Uma delas, explicou o presidente do Sindicato Patronal de Condomínios do Estado (Sipces), Cyro Bach Monteiro, é enxugar a folha de pagamento.

“O que pesa na conta do condomínio é a folha de pagamento. Por isso, há adaptações sendo feitas para conseguir sobreviver nesse mercado. A grande maioria tira porteiro essa medida pode criar uma economia de até 50% no valor da taxa condominial”, disse Monteiro.

Além disso, conforme ressaltou o advogado imobiliário Diovano Rosetti, os donos de apartamentos também estão apostando em negociações melhores para atrair novos moradores.

“A negociação tem acontecido no valor do aluguel, que é onde dá para mexer. Os proprietários têm oferecido, por exemplo, um ano de aluguel com preço fixo e exclusão da cobrança de IPTU”, disse.

Além disso, outra proposta que vem sendo ofertada com frequência é a do pagamento do condomínio pelo próprio locatário.

“Para fechar negócio, alguns donos de imóveis oferecem ao inquilino o pagamento de 50% da taxa de condomínio nos três primeiros meses de contrato”, destacou o advogado.

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