Contra assaltos, condomínios endurecem regras de convivência

29 de agosto de 2017

Reportagem Jornal A Gazeta

A pessoa chega numa padaria e é assaltada; fica parada no ponto do ônibus e tem o celular roubado; chega na loja para trabalhar e encontra o comércio arrombado. É difícil encontrar alguém que não tenha sido vítima de bandidos na Grande Vitória. Para evitar que a criminalidade ultrapasse os muros dos prédios, condomínios estão endurecendo suas regras de convivência.

Com o aumento de ocorrências de assalto no entorno dos edifícios, os condomínios têm apostado em orientar moradores sobre medidas de segurança. Alguns chegaram a enviar uma carta com dicas de segurança e afixaram o aviso também em elevadores. Esse é o caso do condomínio Acquabella, na Praia de Itaparica, em Vila Velha.

O síndico Geomarts Lahass enviou um comunicado para os 112 apartamentos do condomínio, ocupados por cerca de 350 pessoas. As mudanças começaram a ocorrer após a paralisação da Polícia Militar, no mês de fevereiro.

REGRAS

Entre as orientações, algumas medidas rígidas, como não deixar crianças brincando nas áreas comuns do prédio e entrar sempre desacompanhado de visitantes, que devem ser identificados, para impedir que moradores “possam ser utilizados como reféns”, diz.

“É uma forma de proporcionar segurança para moradores e frequentadores do prédio. São muitos casos de assaltos nas imediações, principalmente na Avenida Santa Leopoldina e na Rodovia do Sol. Há também terrenos abandonados frequentados por pessoas desconhecidas”, justifica.

A cabeleireira Maria Aparecida Rais, de 43 anos, estava próxima à entrada do condomínio passeando com o cachorro quando foi abordada por três pessoas no final do ano passado.

“Precisei mudar alguns hábitos, não saio mais com celular, carrego pouco dinheiro. Diversas vezes já vi pessoas sendo assaltadas e eu mesma já fui vítima, só me sinto segura quando estou dentro do prédio”, diz.

ENTREGADOR

O síndico do Edifício Residencial Barras, em Jardim Camburi, Leonardo Ferreira Tomé, afirmou que o condomínio passou a adotar regras mais rígidas para quem entra e sai do prédio. Uma das medidas é controlar os entregadores que entram no prédio.

“É preciso ter atenção aos prestadores de serviço que vão ao edifício. Nós temos um controle rígido. O entregador entra na portaria, precisa mostrar a identidade e só então a pessoa do prédio é acionada. O ideal é o morador descer e ir até a portaria”, diz.

O vice-presidente do Sindicato dos Condomínios, Gedaias Freire da Costa, diz que o sindicato tem trabalhado para orientar sobre medidas de segurança, principalmente em prédios onde não há porteiro.

“É preciso do bom senso dos moradores para que as regras implantadas pelos condomínios sejam cumpridas. Tem de haver um conjunto de ações, como investimentos em segurança e orientações”, diz.

CÂMERAS SÃO A PRINCIPAL APOSTA NOS PRÉDIOS CONTRA OS CRIMES

O aviso “Sorria, você está sendo filmado” não é exclusivo de imóveis comerciais. Condomínios residenciais investem cada vez mais em câmeras de videomonitoramento na Grande Vitória.

O síndico do Edifício Acquabella, na Praia de Itaparica, em Vila Velha, Geomarts Lahass, comprou mais 48 câmeras de videomonitoramento. Elas serão instaladas nos próximos dias.

O prédio já contava com 36 câmeras e, agora, passará a ter 84. O número corresponde a quase metade das câmeras instaladas em Vila Velha, que são 200, segundo dados da Prefeitura Municipal de Vila Velha.

Outro investimento foi na compra de sete lâmpadas. O próximo passo é fazer uma clausura: caixa de espera até que o visitante seja reconhecida antes de entrar na portaria.

“Além dos equipamentos eletrônicos, a presença dos porteiros é indispensável. Eles são os olhos do condomínio”, acrescenta.

O vice- presidente do Sindicato dos Condomínios, Gedaias Freire da Costa, acrescenta que é preciso investir e capacitar os porteiros, mesmo que a medida não seja exigida por lei.

“O porteiro pode inibir a entrada de bandidos porque é mais um elemento de segurança. No entanto, o condomínio tem que treinar os funcionários para que possa executar as atividades corretamente”, afirma.

Apesar da importância dos porteiros, Gedaias acrescenta que devido ao agravamento da crise econômica, muitos condomínios dispensaram os profissionais e passaram a substituí-los por outras alternativas, como a portaria virtual, em que uma empresa é paga para monitorar as câmeras do condomínio. “A folha de pagamento com cinco funcionários em um condomínio ultrapassa R$ 12 mil. Muitos moradores não estão tendo condição de pagar um valor tão alto”, diz.

Segundo o presidente da Associação de Moradores de Jardim Camburi, Enock Sampaio Torres, no bairro houve a redução do número de porteiros. Muitos prédios os substituíram por cercas elétricas e câmeras.

“Muitos preferem fazer a substituição por equipamentos eletrônicos devido ao custo. No meu prédio não há porteiro. Eu sempre mudo a rota e dou duas voltas no quarteirão antes de entrar com o carro na garagem”, aponta.

Praia do Canto

Já na a Rua Constante Sodré, na Praia do Canto, um grupo de moradores colocou sirenes em cada um dos seus edifícios. A ideia é que, ao notar algo considerado perigoso, os porteiros possam acionar a sirene e gerar um grande barulho ao longo de toda a rua.

INVESTIMENTO DE 15 MIL REAIS EM VILA VELHA

Para proporcionar mais segurança aos moradores do condomínio, é preciso investir. Valor que, na maioria das vezes, é repassado a quem mora no prédio.

O síndico do Edifício Acquabella, na Praia de Itaparica, em Vila Velha, Geomarts Lahass, conta que o investimento com câmeras e lâmpadas foi de R$ 15.400.

“O valor do condomínio não foi alterado, mas foi preciso equilibrar o orçamento e diminuir o investimento em outras partes”, afirma.

A mesma realidade não ocorreu no Edifício Residencial Barras, em Jardim Camburi, em Vitória. O síndico Leonardo Tomé acredita que o investimento aumentará em cerca de 10% o valor pago para o condomínio.

A intenção é consertar o muro, arrumar cerca elétrica e modernizar todas as câmeras. Além de colocar mais porteiros – atualmente são oito. “Os condôminos acabam pagando por isso. A segurança tem preço”, aponta.

PM DÁ DICAS PARA EVITAR AÇÃO DE BANDIDOS

O subcomandante do Comando de Polícia Ostensiva Metropolitana (CPOM), tenente-coronel Antonio Marcos de Souza Reis, aponta que várias medidas são importantes dentro de condomínios, como permitir a entrada de prestadores de serviços apenas agendados e com crachá e contar com o sistema de videomonitoramento.

“Nós temos o projeto chamado ‘Dicas de Segurança’, damos sugestões de comportamento e conduta para evitar que as pessoas sejam alvos em potencial de bandidos. O moradores pode procurar a Companhia da Polícia MIlitar mais próxima ou agendar palestras”, diz.

Ação

Ele acrescenta que a Policia Militar intensificou o policiamento ostensivo e cerco tático em ônibus, moto, táxi, veículos particulares para dar mais segurança à população. Outra medida é buscar o diálogo com as comunidades, realizando reuniões para estudar estratégias diferente de ação em cada local.

É importante também que a comunidade procure manter uma relação de proximidade com o policial. Dar bom dia, boa tarde para que ele saiba identificar quem é o morador daquela região. Os síndicos e porteiros precisam ter o telefone da companhia mais próxima ou o Disque 190 para qualquer ocorrência necessária”, diz.

ORIENTAÇÕES

Dicas da PM

Câmeras – Investir em equipamentos de segurança, como câmeras.

Monitorar pessoas – Permitir a entrada de prestadores de serviços agendados e com crachá.

Porteiro – Chamar a atenção do porteiro ao chegar no prédio para ficar pouco tempo parado na porta.

Garagem – Não direcionar o carro para a garagem se perceber alguma atitude suspeita.

Dicas dos condomínios

Condomínio – Ao sair ou entrar do condomínio, ficar atento à presença de estranhos.

Portas – Manter as portas dos apartamentos trancadas.

Conversa – Evitar conversar na frente do condomínio com portões abertos e não deixar crianças brincando em áreas do prédio.

Interfone – Não abrir o portão pelo interfone sem ter certeza de quem interfonou.

Entregadores – Evite fazer pedidos a entregadores.

Desacompanhado – Entrar no prédio desacompanhado. Os visitantes devem ser identificados, impedindo que oradores sejam feitos reféns.

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