Prédios antigos estão despreparados contra fogo

15 de junho de 2017

Reportagem Eliane Proscholdt e Milena Martins, jornal A Tribuna

O incêndio de grandes proporções que destruiu um prédio de 24 andares e 120 apartamentos, em Londres, na Inglaterra, ontem, deixando ao menos 12 mortos e mais de 70 feridos, é sinal de alerta para o mundo.

Na grande Vitória, especialistas revelam que prédios antigos, com mais de 30 anos e entre três e quatro andares, estão despreparados contra incêndios. O edifício em Londres foi construído em 1974.

O técnico em equipamentos de combate a incêndio Eduardo Cardoso, que trabalha há 25 anos no segmento – desses, três anos prestando serviço a condomínios -, disse que 40% dos prédios antigos na Grande Vitória estão despreparados para enfrentar incêndios.

“Do restante, uma pequena parcela está apta para lidar com esse tipo de situação. Porém, a maioria ainda está se adequando.”

Mas, afinal, o que significa estar despreparado? O primeiro exemplo citado por Eduardo foi a falta de portas corta-fogo (utilizada com a finalidade de garantir proteção contra incêndios, facilitando a fuga de pessoas e resgate).

Ele revelou que há condomínios que não têm extintores de incêndio. “A parte de gás é vulnerável em alguns condomínios e os vazamentos podem colocar em risco a vida das pessoas. Tem prédios que não têm para-raios. Outros, não têm alvará do Corpo de Bombeiros.”

Além da importância de ter equipamentos, ele diz que é fundamental ter treinamento para usá-los.

Ele disse que o gasto para se ter segurança contra incêndio é alto. “Em média, o investimento para um prédio de quatro andares gira em torno de R$ 15 mil”.

Sem citar percentuais, o presidente do Sindicato Patronal de Condomínios do Estado (SIPCES), Cyro Bach Monteiro, diz que alguns prédios antigos não têm esses equipamentos. “Mas essa cultura vem mudando.”

Já o especialista em resgate Clei Wanderson Santiago afirmou que os brasileiros, por cultura, não se preocupam com medidas de prevenção a incêndios. “Fora do Brasil, crianças aprendem cursos de abandono em situações de incêndio”.

BOMBEIROS DIZEM QUE RESPONSABILIDADE É DO SÍNDICO

O Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico do Estado do Espírito Santo determina que os condomínios residenciais se regularizem junto ao Corpo de Bombeiros Militar a cada três anos.

A vistoria deve ser solicitada pelos síndicos, que devem apresentar todos os documentos necessários que comprovem que o edifício está em dia quanto à prevenção de incêndios.

Entretanto, o coronel do Corpo de Bombeiros Militar Carlos Wagner admitiu que existe negligência em muitos prédios da Grande Vitória.

“Tem alguns prédios antigos construídos na década de 50 e 60 na Cidade Alta de Vitória, por exemplo, em que síndicos não fazem a manutenção correta dos equipamentos de segurança.”

O coronel afirmou que em edifícios comerciais e industriais a vistoria por parte dos bombeiros deve acontecer uma vez por ano. Entretanto, o coronel explicou que os síndicos devem manter o sistema de prevenção de incêndios em perfeito estado de uso.

“Muitas vezes, encontramos problemas de extintor de incêndio descarregado, mangueira de incêndio furada, iluminação de emergência em mau estado de conservação.”

Wagner afirmou também que os moradores que perceberem irregularidades devem denunciar por meio do 181. “Quando há denúncia vamos até o local e, dependendo da gravidade da situação, até interditamos o prédio. As medidas preventivas são de inteira responsabilidade do síndico.”

Atualmente o Corpo de Bombeiros do Estado atende chamadas de emergência de incêndio em prédios com uma escada chamada de auto plataforma Magirus. O equipamento alcança até 22 metros, o que um prédio equivale a oito andares. “Caso o incêndio aconteça em andares mais altos, a medida de resgate é somente pela entrada no imóvel.”

Entre os dias 2 e 9 de julho, o Corpo de Bombeiros vai realizar uma semana de prevenção contra incêndio.

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