PONTO DE VISTA – Construindo uma história própria

24 de outubro de 2016

Estar à frente de um condomínio não é uma tarefa fácil. Então imaginem como deve ser o dia a dia na condução das tarefas de um tradicional prédio comercial no Centro de Vitória com 430 salas, sete lojas e cerca de 200 vagas de garagem. Essa é uma das missões da síndica e administradora Rosângela Heringer Dutra, há cinco anos à frente do condomínio do edifício Trade Center, mas atuante na administração do prédio há mais de 10 anos.

InfoSIPCES – VOCÊ ATUA EM PRÉDIOS COMERCIAIS E RESIDENCIAIS? PODEMOS DIZER QUE HÁ ALGUM QUE SEJA MAIS FÁCIL DE TRABALHAR?

Acredito que o empreendimento comercial é mais fácil de lidar. Em um prédio exclusivamente residencial as pessoas tem um sentimento de propriedade maior, de pertencimento do imóvel, então a postura de ser dono do imóvel é maior, e isso, em alguns casos, causa situações em que temos que intervir, sempre com bom senso e justiça. Não pode ser diferente disso, tem que prevalecer a igualdade.

ESSA PERCEPÇÃO VEM COM O TEMPO, AFINAL JÁ SÃO 11 ANOS AQUI NO TRADE CENTER…

No começo eu não sabia como funcionava muito bem. Condomínio sempre tem a máxima de que é preciso resolver os muitos problemas com pouco dinheiro em caixa. Mas condomínio não tem segredo. É preciso integração entre as pessoas, um conselho fiscal atuante. É um constante aprendizado, com a necessidade de conhecer sobre vários assuntos que influenciam e são essenciais para o bom funcionamento e andamento das atividades no condomínio. É preciso manter-se atualizado. É importante envolver as pessoas no andamento das ações, criar vínculo para que todos tenham mais liberdade em opinar e interagir.

QUAL A REALIDADE ENFRENTADA AO ASSUMIR E QUAL O CENÁRIO HOJE?

Entramos com o objetivo de fazer as melhorias que achávamos pertinentes. Falo no plural, pois ninguém administra um condomínio sozinho. E buscamos a opção de virar a página, onde decidimos que viemos para resolver os problemas e criar uma história própria. Assumimos sem apontar os erros. E permanecer a tantos anos desempenhando essa função é sinal de que o trabalho está sendo reconhecido, e esse é o bem que considero mais precioso desempenhando essa função.

QUE MELHORIAS FORAM ESSAS?

Realizamos a troca dos elevadores, implantamos uma espécie de lanchonete, um café, na recepção do prédio, que paga locação pelo espaço, tínhamos vagas de garagem ociosas, hoje recebemos o pagamento de aluguel por algumas delas, sem contar que tem a locação de um espaço para uma empresa de telefonia, que instalou uma antena no prédio. Outras ações foram a reforma da calçada, implantação da acessibilidade para acesso ao prédio e a revisão da estrutura elétrica. E há dois pontos que destaco. O primeiro é a questão do espaço do lixo infectante, já previsto por lei municipal em Vitória e que aumentou a fiscalização da sua aplicação. O espaço do lixo infectante é o lixo de consultórios médicos, por exemplo. O local é isolado, mantido fechado com corrente, e somente a administração do condomínio e a funcionária da clínica acessam o espaço. Esse lixo é descartado em saco apropriado e a coleta agendada junto à prefeitura.

E O OUTRO DESTAQUE?

Outro ponto é a simulação de segurança contra incêndio. São procedimentos acompanhados, com rota de fuga definida. Essa ação já foi realizada durante os últimos dois anos. Nossa intenção é aprimorar esse treinamento, tornando-o anual ou até mesmo semestral. E no meio de tudo isso há o dia a dia, as cobranças, as dúvidas e até mesmo questionamentos ou reclamações. Tudo isso é normal em qualquer condomínio. Pode ser sempre melhor se houver mais cooperação. Lidar com pessoas não é fácil, são culturas diferentes, histórias diferentes. Mas abracei a causa. Entre erros e acertos, nosso saldo é positivo.

Facebook Comments
Voltar

Deixe um comentário

%d blogueiros gostam disto: