Excesso de eletrodomésticos ameaça segurança de prédios

30 de outubro de 2016

Reportagem Heloiza Camargo, jornal A Tribuna
A Tribuna – 30 de outubro – Página 28
A Tribuna – 30 de outubro – Página 29

O avanço da tecnologia traz consigo cada vez mais eletrodomésticos. Nas cozinhas, hoje, é possível encontrar panela elétrica de arroz, fritadeira, misteira, cafeteira, liquidificador, exaustor, máquina de lavar louça, além de micro-ondas e geladeira.

Se por um lado todos esses aparelhos facilitam as tarefas domésticas, por outro eles podem ameaçar a segurança elétrica dos apartamentos, afirmam especialistas.

De acordo com o engenheiro eletricista e professor da Faculdade Multivix, Ronimar Spindula Volkers, a maioria dos projetos não contempla a quantidade de equipamentos elétricos disponíveis. “A norma NBR 5410 trata dos requisitos mínimos que um projeto elétrico tem de ter. Mas a última atualização foi em 2014. De lá para cá, muitos eletrodomésticos foram lançados”, explicou.

O problema da sobrecarga de energia — que acontece quando aparelhos com alta potência são usados ao mesmo tempo e a instalação elétrica não é dimensionada para isso — é que ela pode acarretar desde curtos-circuitos até incêndios.

Para evitar que isso ocorra, é importante seguir, no caso dos apartamentos novos, as recomendações do manual do proprietário, frisou o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon-ES), Paulo Baraona. “As construtoras hoje estão atentas ao excesso de eletrodomésticos e, de modo geral, têm feito projetos para atender a essa demanda, mas o morador também precisa ser consciente e ficar atento”, afirmou.

Segundo a doutora em Engenharia Elétrica e professora da Ufes Carla César Martins, o avanço tecnológico trouxe de positivo equipamentos que usam menos energia e que são assim classificados por meio do programa brasileiro de etiquetagem de aparelhos: “Mas, por outro lado, hoje temos aparelhos muito mais potentes. É preciso observar, por exemplo, se a tomada é adequada para a potência do aparelho que será ligado a ela.”

Segundo o coordenador do curso de Engenharia Elétrica da UCL, Rafael Leal, a fritadeira e o micro-ondas são os eletrodomésticos com maior potência em uma cozinha. “Por isso eles têm de ficar em tomadas de 20 amperes. Quem coloca um adaptador para encaixar em uma de 10 amperes, está fazendo errado”, alertou.

ANÁLISE

Cyro Bach Monteiro – presidente do SIPCES

“Consumo deve ser sempre verificado”

“Quando se faz a concepção de um edifício ou uma casa, o responsável imagina ali uma determinada quantidade de eletrodomésticos. Mas o que acontece é que muitas vezes as pessoas adquirem mais aparelhos do que foi previsto. Então, é muito importante que os condomínios estejam atentos a isso para possíveis ajustes, inclusive contratando, junto à distribuidora, quando for necessário, mais energia. O estudo pode ser feito por um profissional da área, que consegue medir a quantidade de watts que está sendo utilizada pelo condomínio. O objetivo é evitar os picos de energia que acabam ocasionando a queda de energia. Em Vitória, as quedas já são muito comuns devido a problemas da rede em si, mas os prédios podem se prevenir estudando melhor o seu histórico de consumo. Vale investir na conscientização dos moradores, levando profissionais da área para explicarem sobre a parte elétrica.”

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