CONDOMÍNIOS – É HORA DE ECONOMIZAR ÁGUA!

28 de janeiro de 2015

A falta de gestão efetiva dos recursos hídricos, a política governamental incentivando plantio de eucaliptos (uma árvore adulta, segundo pesquisas, consome 36,5 mil litros por ano), aliado a escassez decorrente da falta de chuva nos mananciais agravado pela ausência de educação no uso da água (bem finito) com desperdícios pelas concessionárias e usuários agrava a cada dia o abastecimento de água.

Inadmissível que no Brasil a perda média de água alcance 37% da água tratada, ou seja, de cada 100 litros tratados pelas empresas concessionárias 37 litros seja desperdiçado em vazamentos, não faturamentos, incluindo ligações clandestinas, conforme dados do Ministério das Cidades através do sistema nacional de informações de saneamento básico.

A seca antes restrita à Região Nordeste, motivando críticas das regiões “abastadas”, atingiu nos últimos meses a Região Sudeste, inicialmente São Paulo, onde o sistema Cantareira pede socorro. O volume morto vem sendo utilizado há meses pela Sabesp e a cada dia novas alternativas estão sendo buscadas; dentre tantas, rodízio de falta d´agua por cinco dias e dois com abastecimento.

No Rio de Janeiro o sistema Guandu já vem utilizando o sistema morto; Minas Gerais já enfrenta situações drásticas em vários munícipios. A primeira ideia dos nossos governantes, é aumentar o custo da água para o consumidor. Falham, portanto, as políticas públicas de enfrentamento do problema, antevendo e adotando medidas.

O consumo de água per capta (por pessoa) no Espírito Santo é de 191 litros/dia (dados do Ministério das Cidades), muito acima dos 110 litros/dia recomendo pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Não é sem critérios que o Comité Hídrico do Espírito Santo em reunião realizada ontem (27/01) diante do cenário de guerra com a escassez de água sugere que sejam aplicados valores de referência para o consumo de água por habitante/dia, conforme segue: 110 litros/dia para população menor que 100 mil habitantes; 125 litros/dia para população de 100 a 150 mil habitantes e 137 litros/dia para população acima de 500 mil habitantes.

O rio Santa Maria que abastece município de Serra, parte de Fundão e bairros da Zona Norte de Vitória, está com vazão próximo da mínima, mantida pela EDP que libera vazão no rio, parando geração de energia pela Usina Suíça. No rio Jucu uma barragem foi construída para aumentar o volume de água na capitação da Cesan; nos demais municípios, especialmente Guarapari, a situação é de calamidade. Os rios Jabuti e Pongal já pediram arrego.

Importante salientar que em nosso Estado a maioria das captações são em rios, ou seja, somente em volume disponível. Não existe como em outros Estados as reservas (volume morto). Assim, se o rio secar, acabou a água para consumo humano.

Estamos lendo e ouvindo inúmeras propostas de leis que serão criadas para impor a redução drástica do consumo de água, tudo em nome da educação ambiental. Esperamos que a sociedade organizada seja ouvida, para discutir as ideias, e não somente, mais uma vez, a população pagar o custo. Não custa lembrar da energia (racionamento e redução de 25%).

Cidadãos estão dando exemplo e promovendo ações de redução de consumo de água (água que lavar o arroz molha as plantas; água da máquina de lavar roupa usada para lavar calçadas e varandas ou a água com amaciante utilizada para lavar banheiros; ou ainda, água da pia de cozinha desviada para lavar calçadas).

Os condomínios estão entre os maiores consumidores de água, portanto, nossa responsabilidade no controle diário do consumo é grande. Com isso temos condições de verificar vazamentos e desperdícios; por outro lado, cabe a nós, mediante informativo e diálogos, educar nossos condôminos para o uso racional da água.

As oportunidades de redução do consumo de água nos apartamentos são muitas: banhos com tempo reduzido, fechamento da torneira da pia enquanto ensaboam as louças, torneiras fechadas enquanto escova os dentes ou fazendo barba, menor tempo (número de vezes) no uso da máquina de lavar roupas, evitando lavar pouca roupa.

Síndicos e administradoras de condomínios – Vamos divulgar o consumo diário como forma de educar e conscientizar os condôminos e moradores para o uso racional de água. Vale lembrar que, a cada 100 litros de água consumida, pagamos 80 litros de esgoto e mais, nos condomínios comerciais o valor é igual. Se não bastasse isso, ainda temos valor diferenciado por metro cúbico conforme faixa de consumo, logo, reduzir consumo de água é conservar e proteger o meio ambiente, mas, também, reduzir despesas.

Gedaias Freire da Costa
Vice Presidente do SIPCES

Na edição de Março/Abril de 2014 do InfoSIPCES, o sindicato já falava sobre a importância de economizar e trouxe dicas de economia de água, na seção Sustentabilidade. Clique no link DICAS PARA ECONOMIZAR ÁGUA e reveja a matérias e algumas dicas de economia.

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